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Archive for janeiro, 2012

Engarrafamento, peças e motor

41° Dia

Hoje peguei o meu primeiro grande engarrafamento com o March em São Paulo. Foram exatos 11,3 km os quais levo cerca de 20 minutos para percorrer. Desta vez levei duas horas, engatando a terceira marcha poucas vezes. O motivo deste relato? Simples, o Nissan com sua direção elétrica e pediais leves me cansou, por incrível que pareça.

Já havia enfrentado congestionamentos assim com outros carros, mas não havia saído tão cansado quando no March. Em breve vamos analisar a ergonomia do March com um especialista para ter uma posição mais balizada para vocês, internautas. Por falar nisso, estamos ainda apurando a situação da ferrugem. Em breve teremos mais informações a respeito do tema.

Outra coisa que gostaria de comentar é sobre a manutenção do March. O internauta Rodrigo perguntou sobre a disponibilidade das peças. Fizemos um levantamento ligando para concessionárias. Como um consumidor faria, perguntamos o preço das peças e questionamos se eles já estavam disponíveis. A resposta foi afirmativa para todos os componentes.

Surgiu uma dúvida na questão do filtro de combustível. O programa de revisões prevê a troca do componente, mas o setor de peças da Nissan disse que a versão 1.6 não contava com filtro. Levamos a questão para a Nissan que respondeu que o a diferença é que nos modelos com motor 1.0 Flex Fuel a troca do filtro é periódica, enquanto nos modelos com motor 1.6 16V Flex Fuel não há a necessidade de substituição do equipamento – neste caso, o filtro de combustível é similar ao utilizado pelos veículos da família Tiida e Sentra.

Assim como alguns internautas já estavam debatendo, esclareço que o motor 1.0 do March é o mesmo usado na linha Clio e Sandero. Já o 1.6 16V é da mesma família de motores do Tiida. Esse 1.6 não usado em carros da Renault.

Ferrugem na coluna de direção

38°, 39° e 40° Dias

Nos últimos dias, os internautas frequentadores do Teste dos 100 Dias levantaram uma dúvida. O March tem ou não tem ferrugem na coluna de direção? O questionamento surgiu após algumas imagens que fizemos terem revelado a oxidação na peça. Num primeiro momento, nós não percebemos o detalhe nas imagens. O March havia passado por uma viagem em estrada de terra, e as manchas pareciam barro colado.

Como todos podem ver abaixo, o caso é de ferrugem sim. E, como este é um teste que busca simular o que um consumidor comum faria, fizemos o normal: fomos a uma concessionária Nissan para verificar o caso.

Marcas de ferrugem são visíveis na coluna de direção

Quem ficou a cargo foi o auxiliar de testes Leonardo Barboza. Ele conta que chegou a revenda Nissan Tókio, no bairro de Santo Amaro, na cidade de São Paulo, e foi prontamente atendido. Contou ao consultor que havia encontrado as marcas de ferrugem na coluna de direção e que achou estranho. A resposta do consultor foi de que estes componentes são de ferro fundido, e que não têm tratamento contra ferrugem. No entanto, disse a Barbosa que não ficasse preocupado, pois a ferrugem não traria problemas de segurança.

Nosso assistente de testes insistiu então que o consultor verificasse se havia alguma infiltração. Afinal, água poderia estar entrando em contato com a coluna, acelerando o processo de oxidação. O consultor observou a parte inferior do painel e a coluna de direção. A conclusão foi de que não havia infiltração. A ferrugem na coluna de direção, nas palavras do consultor, era causada pela umidade do ar.

Nós da Carro Online não ficamos convencidos com essa resposta do consultor. Por isso, entramos em contato com a assessoria de imprensa da Nissan para verificar o caso. A marca respondeu, o comunicado oficial dizia que “por se tratarem de componentes em ferro fundido, existe a possibilidade de formação de óxido superficial. No entanto, não há, em nenhum momento, conseqüências para o desempenho, durabilidade e segurança destas peças. Salientamos que peças do Nissan March foram validadas para serem utilizadas em mercados com condições climáticas mais agressivas – onde há aplicação de sal nas ruas e estradas no inverno, por exemplo, para evitar o congelamento.

ATÉ CURITIBA

35°, 36° e 37° Dias

Em meu primeiro contato com o March da Nissan, fiz uma viagem rápida até a cidade de Curitiba – PR e confesso que fiquei impressionado com o desempenho e economia. Sem contar com a estabilidade na estrada e mesmo com o ar condicionado ligado ele se comportou muito bem em trechos de serra onde geralmente em carros 1.0 costumo desligar o ar. Mas nesse caso não foi necessário, o ruído do motor em rotação mais alta não é muito, não incomoda. Dentro da cidade ele é muito ágil e fácil de estacionar, pois a direção elétrica contribui muito.

Pensando alto

34° Dia

A cada dia que passa fico mais íntimo do Nissan March do Teste dos 100 Dias. Como de costume. o popular japonês com quase 8.500 quilômetros percorridos ainda permanece sem nenhum ruído anormal de suspensão e partes de acabamentos.

Porém, algo que me chamou atenção ontem, foi a facilidade de propagação de ruídos de dentro para fora e vice versa.

Explico melhor. Ontem, durante uma forte chuva de verão em São Paulo, notei que as gotas de chuva caiam sobre o teto do March fazendo um barulho enorme, dando a impressão de que elas iriam conseguir perfurar o teto e entrar no veículo.

Mais um ponto em relação ao isolamento acústico foi no transito. Com as janelas fechadas, avistei um veículo ao lado onde o passageiro abriu a sua janela e jogou um papel higiênico na rua. Indignado com a cena, falei para o fotógrafo que estava ao meu lado que o cara era um “Porco”. E não é que o cara escutou e me xingou.

Essa historia não ficou por aí, mais adiante, um pedestre resolveu atrapalhar todo o trânsito atravessando fora da faixa. Novamente fiquei inconformado com a cena e falei para o pedestre atravessar na faixa. As janelas estavam fechadas, mas denovo a pessoa escutou e ainda me mostrou o dedo do meio.

Espantado  resolvi chegar com o March em casa sem falar mais nenhum “A”. Na garagem, são e salvo, pude notar que conseguia comunicar com o meu pai sem nenhuma dificuldade mesmo com o veículo todo fechado.

Cheguei a conclusão que mesmo o March tendo um bom acabamento, o seu isolamento acústico não é um dos melhores. Assim não é recomendável conversar certos assuntos dentro do veículo em locais movimentados.

E você caro leitor, já passou por uma situação dessa dentro de um carro?

Fim de semana produtivo com o March

31º, 32º e 33º dias

O fim de semana foi proveitoso a bordo do March. Além de uma viagem curta saindo da região metropolitana de São Paulo com direção ao litoral do Estado, aproveitei para testar uma coisa nem tão pertinente ao carro em si, mas algo fundamental para que ele obtenha sucesso nas vendas: o atendimento na hora da compra.

Como moro em Santo André, município da Grande São Paulo, fui a concessionária da Nissan e me demonstrei interessado em adquirir um March 1.0. Como a ideia era avaliar o atendimento, tentei parecer o menos “entendido” possível, questionando ao vendedor quem eram os concorrentes do carro, etc.

Ao chegar a loja, notei a falta de uma abordagem do tipo “pegar pela mão”. Não foi bem uma indiferença, mas se eu não me aproximasse do balcão de informações provavelmente ficaria a tarde inteira por lá até alguém me atender… Solicitei à atendente que gostaria de mais informações sobre o compacto e ela se prontificou a chamar o vendedor.

Enquanto aguardava o funcionário, aproveitei para recolher alguns materiais de divulgação, inclusive um bem interessante que mostrava as vantagens do March em termos de motorização e equipamentos sobre os rivais de mercado. Contudo, só achei que o vendedor foi muito “pragmático”, por assim dizer, indo direto ao ponto e apresentando os valores do March e algumas propostas de financiamento praticadas.

Se fosse, de fato, uma pessoa interessada em adquirir um carro dessa categoria e sem conhecimento profundo sobre o mercado, talvez não notaria alguns pontos em que o March é muito competitivo (peças, manutenção, garantia) e que não foram explorados na hora que o carro foi apresentado para mim. Isso, na hora da escolha, pode ser fundamental para o cliente potencial.

Confesso que, se fosse mesmo um leigo no mundo dos automóveis, a “lábia” do vendedor não funcionou comigo. E vocês, amigos do Teste dos 100 Dias, já visitaram uma concessionária a procura do March? Ou, para quem já comprou o modelo, como foi o atendimento?

Depois do passeio na loja, estava na hora do passeio de verdade, na estrada. Agora que o teste da completou um mês, você já ficou sabendo das boas características dinâmicas do March, portanto não vou me ater tanto a esse ponto. O que gostaria de conversar hoje com vocês é sobre a convivência no dia a dia com o Nissan. O acionamento remoto para abertura do tanque de combustível (foto), por exemplo, é um bom recurso de conveniência, uma vez que dispensa a necessidade de entregar a chave ao frentista na hora de abastecer.


O que me chamou a atenção logo de cara é a distribuição de porta-copos e porta-objetos no interior. Eles suprem bem a necessidade de quem trafega por aí e tem um tamanho correto. Tudo bem que tive problema com um copo, que ficou folgado no compartimento pouco a frente do câmbio. Até aí dou um desconto merecido devido às várias opções no mercado e não teria como a marca fazer um porta-copos universal. Algumas marcas até adotam uma espécie de aro preso a uma mola, que se adapta ao tamanho do copo, mas esse recurso é visto geralmente em carros de segmento superior.

Para uma viagem, e, é claro, levando em consideração o tamanho do March, o porta-malas é bom e o interior, com o teto alto, colabora para criar uma boa atmosfera de espaço interno. A ergonomia e o cuidado na criação do ambiente interno é outro ponto alto do March. O rádio está na posição ideal, bem elevado no console central, o que permite fácil manuseio e visualização. Parece detalhe, mas até as pedaleiras amplas e o bom espaço entre os pedais colaboram para que o ato de dirigir seja menos cansativo em algumas situações.


O que pode ser caracterizado como um requinte entre os hatches de entrada, o March conta regulagem do intervalo para o temporizador do limpador dianteiro. O Leonardo Barboza já contou sobre isso, mas como enfrentei alguns trechos de chuva na estrada, não tem como deixar de falar sobre como esse recurso ajuda. O limpador traseiro não tem o recurso, mas, além de temporizador, também pode ficar acionado em velocidade padrão.

No fim do trecho de serra, na rodovia Anchieta, uma marca excelente: o March chegou em Cubatão (SP) marcando 19,6 km/l de média em seu computador de bordo. Mas que fique bem claro, isso no trecho de descida. Mesmo assim, o consumo na casa de 15 km/l a velocidade constante de 80 km/h foi animador. Em um trecho sem pavimentação, o Nissan se saiu bem na terra. Mesmo com a via repleta de buracos, ele não apresentou barulhos de acabamento ou da parte mecânica que pudessem sugerir fragilidade. Até agora, pelo menos para mim, o March está se saindo muito bem.

Um quase teste de colisão

30º Dia

Reprodução

Estava paradinho na minha, sem incomodar ninguém. Esperava o sinal ficar verde, enquanto os pedestres cruzavam na faixa, logo ali, na minha frente. O March não havia nem esquentado o motor direito. Uma picape na avenida transversal vem rápido demais e trava as rodas no piso ainda molhado da última chuva. A frente da Toyota Hilux cruza as faixas e cresce em meu para-brisa. Estou parado, de mãos atadas, e a picape vai bater de frente em mim.

Veio na cabeça, naquela fração de segundo, o péssimo resultado que o March teve no Latin NCAP. O compacto da Nissan levou apenas 2 estrelas para adultos e 1 para crianças. O mais estranho disso tudo é que a Nissan diz que o March é um projeto global, um mesmo carro vendido em vários mercados. Porém, o Micra (nome que o March recebe em outros países) recebeu 4 estrelas na Europa, passando pelo mesmo teste de colisão. Relembre todo o caso clicando aqui.

Nós na Carro Online fomos atrás da Nissan para ter uma posição da empresa. A fábrica, por sua vez, informou estar ciente dos resultados da Latin NCAP com relação ao March e estaria trabalhando para “compreender melhor os resultados”. A montadora declarou em nota que “considera como prioridade a proteção e a segurança que seus produtos oferecem a seus clientes”. Até hoje a fábrica não explicou a razão de tamanha disparidade nos resultados de dois carros que são, teoricamente, iguais. Veja aqui a resposta de outras fábricas sobre seus resultados no Latin NCAP.

O que vocês acham disso? Vocês olham estes quesitos na hora de avaliar um carro? Pagam mais por equipamentos de segurança? Vejam o vídeo abaixo e imaginem-se dentro do carro. Quase me esqueci… não, a picape não bateu no March. O Nissan continua no teste sem arranhões.

Economia em vários sentidos

29º Dia

Chuva forte, trânsito ruim e ainda por cima à noite. Essas foram as condições que o March enfrentou em São Paulo no final da tarde de quarta feira.
Preso naquele “anda e para”, típico de São Paulo e utilizando o ar condicionado ligado, o popular da Nissan mostrou-se econômico, uma vez que sua média de consumo ficava entre 8,2 e 8,4 no etanol. Além disso, o seu motor 1.0 mostrou-se adequado a um carro urbano, respondendo bem às ladeiras da capital. Outro ponto positivo é a sua direção elétrica: é muito fácil manobrar o carro, o que se torna agradável e confortável.

No quesito de instrumentação, ele embora apresente um painel simples, o mesmo é de fácil leitura e com um acabamento bem encaixado. O March, com seu motor 1.0, se mostrou uma boa opção para quem busca um carro para andar na cidade e que acompanhe itens de conforto (como ar condicionado, trio elétrico, direção elétrica), porém, ao encarar a estrada, o 1.0 sofre um pouco, algo que é comum em carros de motorizações similares, e com algumas horas de viagem, o banco começou a incomodar um pouco.

Assim como já foi citado em posts anteriores, o japonês tem manutenção com preços acessíveis e das peças listadas anteriormente, praticamente todas estavam disponíveis em pronta entrega nas concessionárias Nissan. Uma curiosidade sobre o filtro de combustível do March: ao pesquisar sobre o preço do mesmo, algumas concessionárias responderam que o carro não apresenta esse filtro, porém, ao entrarmos no site da Nissan, o mesmo aparece como item a ser trocado na primeira revisão conforme link abaixo:

http://www.nissan.com.br/march/site/

A Nissan, com sua proposta de um carro popular com manutenção mais barata, espera conquistar um mercado que até agora eles não tinham contato. Entretanto, o March está se mostrando um carro confiável, honesto em sua manutenção, com um bom consumo de combustível e que apresenta vários itens para o consumidor. Com todos esse itens, além de uma garantia de tres anos, podemos esperar que o March entre na briga com carros bem conhecidos pelo brasileiro, como Gol, Celta e Uno.

DE CARA COM A CONCORRÊNCIA

27° e 28° Dias

Depois de andar novamente com o March em São Paulo, tive a oportunidade de avaliar também o Volkswagen Gol. O carro já é velho conhecido nosso, a quinta geração está nas ruas desde 2008. No entanto, as poucas horas ao volante serviram para repensar o que se busca em um automóvel popular. O Gol é o 1.0 mais divertido de dirigir, o March não faz feio, mas não está ainda no mesmo nível. No entanto, o Volkswagen é caro se comparado ao Nissan. Custa R$ 30.685 e não conta com quase nenhum equipamento de série.

Pata tentar jogar uma luz sobre essa dúvida, fui buscar com o editor-assistente César Tizo um comparativo que do final de 2011 com o March 1.0. O hatch enfrentou Fiat Uno, Kia Picanto e VW Gol para ver qual era a melhor opção. A matéria está aqui abaixo, atualizei os preços e valores dos carros e peças. Vale lembrar que o Kia, na época, não havia tido aumento de preço pelo IPI. A questão é: o que você leitor do nosso blog coloca na balança para comprar um 1.0? Você é adepto do carro “gostoso” de dirigir? Prefere sempre o mais barato? Busca um equilíbrio entre os quesitos? Dê uma olhada na reportagem e deixe suas impressões.

Tchau, Tradição

As “quatro grandes” dominavam o mercado de compactos, mas agora Kia e Nissan atacam nesse segmento. Veja a melhor opção entre Fiat Uno, Kia Picanto, Nissan March e Volkswagen Gol

Texto César Tizo
Fotos Gustavo Epifânio

Se do lado de cima do equador (leia-se: Estados Unidos e Europa), a economia beira a estagnação, não levou muito tempo para a indústria automotiva dar mais atenção aos países emergentes. Afinal, tempo é dinheiro, e as empresas do ramo não podem parar de vender. Por isso, nos próximos anos veremos um movimento interessante. O segmento dos compactos ganhará representantes importantes, como a Toyota, com o Etios, e a Honda, com o Brio.

A primeira a apostar nesse jogo, antes um campo dominado por Fiat, Ford, Volkswagen e General Motors, é a Nissan. E ela vem preparada. “Nós sabemos que, nessa faixa, os consumidores estão mais atentos ao pós-venda, ao preço de peças, além, é claro, do próprio valor do carro”, explica Tiago Castro, gerente-chefe de marketing da marca japonesa.

E assim a nova geração do March (também chamado de Micra em alguns mercados) chega por aqui e inaugura uma fase mais “consciente” da Nissan no Brasil. Para se ter uma ideia, ele praticamente empatou com o Uno no orçamento de peças de reposição (R$ 1.700 para o Nissan e R$ 1.682 para o Fiat), um campo em que a italiana sempre foi muito agressiva. Nesse ponto, o Gol 1.0 deixou a desejar. O valor foi orçado pela própria Volkswagen em R$ 2.745, quantia bem menor do que os R$ 4.051 cobrados pela Kia em sua rede para o novo Picanto. Este, aliás, também é o que conta com as revisões mais caras entre os quatro.

Para efetuar as manutenções obrigatórias desses carros até os 30.000 km, o dono do Uno gastará R$ 628 na rede Fiat, contando com um ano de garantia. Já o Picanto, que traz cinco anos de cobertura, demanda R$ 870 de manutenção no período. No Gol 1.0, o valor cai para R$ 659, mas ele tem um ano de garantia. No March, as três primeiras revisões somam R$ 697, porém, a Nissan oferece três anos de garantia total, uma vantagem sobre Uno e Gol. Aliás, como esse é um assunto importante, o quesito manutenção entrou em nossa tabela de notas para ajudar a definir o vencedor.

Na hora da compra, o March também se destaca. Ele é o mais barato dos quatro e ainda traz airbag de série. O Uno vem logo em seguida, mas é praticamente “pelado” de fábrica. Fica difícil entender o porquê da VW cobrar mais de R$ 2.500 além do preço do March e não oferecer nenhum equipamento a mais no Gol 1.0 básico. Já o Picanto justifica os reais a mais por trazer os principais itens de conforto de série.

Para quem gosta de equipamentos, o Picanto também pode receber teto solar, lanternas de LED e airbags laterais e de cortina, aumentando o preço para R$ 39.900. A cifra já é elevada, mas se considerarmos que acrescentar ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos, ABS e airbag no Gol 1.0 faz com que o valor salte para R$ 38.840, até que o Picanto topo de linha parece mais justo, por assim dizer. Falando em equipamentos, um grande deslize do March é não oferecer ABS nem como opcional, falha que será corrigida no próximo ano, garante Carlos Murilo, diretor de marketing da Nissan.

Por mais que no mundo dos 1.0 o fator custo seja primordial, um bom carro não é feito só disso. E esse é outro motivo que nos fez reunir esses quatros carros, afinal, eles são os modelos com projeto mais moderno dentro do segmento. E uma das atribuições mais valorizadas em um hatch compacto atual é o aproveitamento do espaço. O Gol, apesar de ser o maior em comprimento e entre-eixos dos quatro, registrou a pior soma das medidas de espaço interno. Já o Picanto (o mais estreito, com apenas 1,59 m de largura), ficou em segundo lugar no quesito, e bem que poderia contar com uma carroceria mais larga para acomodar melhor seus ocupantes.

Outro ponto negativo do Picanto é o porta-malas para apenas 200 litros. Nesse ponto, o comprimento maior ajuda o Gol, que pode abrigar 285 litros de bagagem no compartimento. O March só foi melhor em espaço interno que o Gol e perdeu para Picanto e Uno, mas ao menos se destacou na altura entre os assentos dianteiros e traseiros e o teto. Aproveitando que o assunto é cabine, vale a pena elogiar o cuidado do acabamento do Picanto, digno de carros um segmento acima ao mesclar plásticos e não deixar rebarbas ou folgas à mostra.

O March também não fica atrás e, se não ousa no interior, conta com requintes construtivos, como a guarnição dupla de borracha nas portas, detalhes pequenos, mas que denotam cuidado no projeto. Enquanto o Gol prima pelo bom encaixe de peças, o Uno aposta em oferecer kits de personalização para o painel e manopla do câmbio. Um diferencial para quem quer exclusividade.

Ao volante, Picanto e March se destacam pela boa agilidade em terrenos planos. Claro que tanto Kia como Nissan foram espertas e os equiparam com câmbios de marchas curtas, o que permite aproveitar melhor as 4 válvulas por cilindro de seus motores, uma vez que eles ficam mais tempo em giros elevados. O lado bom é que o consumo não saiu prejudicado com essa medida.

O Picanto foi o mais econômico da turma, com média PECO de 11,9 km/l com etanol contra 9,5 km/l de Uno e Gol e 9,0 km/l do March. Uma pena que o 1.0 tricilíndrico do Picanto emita uma ligeira vibração, principalmente na partida a frio, uma característica de propulsores com essa configuração. Em desempenho, o March foi o mais rápido, seguido pelo Picanto. O Nissan abriu 3s0 de vantagem na aceleração de 0 a 100 km/h sobre o Gol 1.0, uma diferença considerável.

Uma característica que une Gol e March, contudo, é o bom trabalho da suspensão. Ambos são mais estáveis que Picanto e Uno, com a carroceria mais firme nas curvas, e imperfeições do piso absorvidas com melhor eficiência do que nos rivais. Se possível, vale a pena investir alguns reais na direção com assistência elétrica regressiva do Nissan.

Ele anda mais, custa menos, oferece bom nível de espaço interno e acabamento, e ainda não é caro para manter. Não é difícil explicar a vitória do March sobre o Gol, o Uno e o Picanto. O Kia, se contasse com um pós-venda mais camarada, poderia ter se dado melhor. Ao Gol e ao Uno, uma adaptação aos novos tempos seria bem-vinda, afinal, nem só de tradição é que se vive.

Nossa conclusão

1º Nissan March, nota média 7,1
A Nissan quer comercializar em torno de 5.000 unidades do March por mês. O número pode parecer comedido num primeiro momento, mas ela sabe que terá um longo trabalho para fazer os brasileiros entenderem que a Nissan agora também atuará entre os populares. Com manutenção competitiva, um bom projeto e garantia acima da média, o March incomodará a concorrência e vale a pena ser visitado em uma concessionária.

2º Kia Picanto, nota média 7,0
Mesmo com a reforma visual completa, o Picanto manteve sua proposta prioritariamente urbana. O espaço interno melhorou, mas o porta-malas, por exemplo, ainda deixa muito a desejar. Na versão manual, o Picanto é bem mais esperto que a opção automática e o baixo consumo é um ponto alto de seu 1.0 tricilíndrico. O problema do Kia esbarra no alto custo de manutenção. Se isso não é problema para você, pode apostar nele.

3º Fiat Uno, nota média 6,8
O Uno é tão competitivo quanto o March em manutenção, uma característica da Fiat. O Nissan, contudo, saiu-se melhor nas provas de desempenho com a vantagen de não abusar no consumo. Também falta ao Fiat e ao VW mais equipamentos de série, como o airbag.

3º Volkswagen Gol, nota média 6,8
O Gol não tem apenas reputação — ele conta com verdadeiros fãs. A boa dirigibilidade e o câmbio estão a seu favor, mas o motor 1.0 é pouco para seu tamanho. Seu preço na versão básica é elevado e não se justifica. A cesta de peças também se mostrou muito cara.

NA CHUVA, NA RUA, NA FAZENDA… E NA PEDRA

24°, 25° e 26° Dias

Com a oportunidade de poder avaliar o Nissan March durante três dias, resolvi checar o seu desempenho na estrada, fazendo uma viagem até Atibaia – SP.

Com quatro passageiros, bagagem  e ar-condicionado ligado. O consumo médio registrado pelo computador de bordo foi de 10,7 km/l. Em relação ao desempenho, mesmo com um motor 1.0 de 74 cv de potência, o March não deixou a desejar, sendo necessário fazer trocas de marchas apenas nas subidas de serras e ultrapassagens.

Outro ponto testado, foi o seu comportamento na chuva. Conforme o Carlos Cereijo havia comentado em seu relato na viagem até Brasília, DF, o temporizador do limpador de para-brisas possibilita você ajustar muito precisamente a velocidade das palhetas dianteiras quanto traseiras. Um ponto positivo, já que nenhum outro popular oferece o item.

No último teste, a prova de fogo foi uma subida em estrada de terra até a Pedra Grande,  localizada em Atibaia, SP. Devido a grande quantidade de chuvas na região, o March encarou muita lama e terreno acidentado devido a erosão. Com muita competência , o sistema de embreagem, suspensão, arrefecimento e freios concluíram a tarefa com total eficiência.

Enfim, depois de 249km de viagem e muitos buracos e solavancos pelo caminho. O March voltou a São Paulo como foi, sem nenhum barulho de suspensão e de acabamento. Pronto para mais uma semana de trabalho.

Peças de reposição bem competitivas.

23° Dia

Com a oportunidade de ficar mais um dia com o March do Teste dos 100 Dias, comecei a observar que o popular da Nissan desperta muita curiosidade.

A prova veio ontem á noite,. Ao chegar em casa, um vizinho me avistou e logo se aproximou. Veio em direção ao carro sem ao menos  me esperar sair do March. Aí já emendou a fazer uma série de perguntas sobre o Nissan.

Proprietário de um VW Fox 1.0 2006, ele tem interesse em trocar por um March. Expliquei todas as dúvidas que ele tinha, porém uma pergunta sobre preço de peças de reposição me deixou com  a “pulga atrás da orelha”. Ele me disse que passou pela experiência de ter um veículo popular importado com peças caras. Como o March é feito no México, resolvi pesquisar para ver como o Nissan se saía neste quesito.

Durante o dia, resolvi ligar para algumas concessionárias. Fiz uma cotação de peças do Nissan March e seus principais rivais na mesma faixa de preço, como podemos ver na tabela abaixo.

PEÇAS FIAT NOVO PALIO 1.0 FORD FIESTA 1.0 NISSAN MARCH 1.0 16V RENAULT SANDERO 1.0 16V VW GOL G5 1.0
JG.PASTILHA R$ 101,71 R$76,00 R$ 82,04 R$156,00 R$159,58
FILTRO DE AR R$ 26,94 R$18,00 R$ 41,00 R$35,53 R$16,00
FILTRO DE COMB. R$ 11,91 R$18,00 R$ 10,98 R$26,00 R$30,55
FILTRO DE OLEO R$ 15,73 R$18,00 R$ 36,74 R$29,00 R$17,00
JG DE VELAS R$ 46,80 R$56,00 R$ 91,16 R$83,00 R$72,80
RETROVISOR L/E R$ 222,74 R$179,00 R$ 115,21 R$140,29 R$129,99
FAROL L/E R$ 379,26 R$431,00 R$ 250,03 R$363,96 R$455,00
TOTAL R$ 805,09 R$ 796,00 R$ 627,16 R$ 833,78 R$ 880,92

 

Após concluir a pesquisa, a surpresa foi que o March é o mais barato no pacote básico de peças em relação aos seus concorrentes. Assim, podemos concluir que o custo para manter o Nissan é honesto e até melhor que os veículos de montadoras nacionais.