90º Dia
Amigos, sei que prometi para hoje, mas infelizmente não conseguimos deixar o QQ nesta terça-feira na concessionária por uma questão de agendamento (nós também não queremos repetir as lojas visitadas até para avaliar o atendimento da rede). Com um horário devidamente reservado, vamos levar o Chery amanhã para tentar solucionar os problemas levantados no post anterior e mais alguns repassados pelos colegas da redação.
E já que o QQ ficou mais um dia conosco, resolvi, na companhia do assistente de testes da Carro e da Carro Hoje, Leonardo Barboza, verificar como funciona no Chery um item de manutenção que muita gente prefere resolver por conta própria: a troca de lâmpadas queimadas.
Em primeiro lugar, vale uma curiosidade, o QQ agrupa sua caixa de fusíveis junto com o motor e não na parte interna do carro, geralmente em um dos lados do painel, como é adotado de costume. Você confere na foto abaixo:


Bom, mas agora retomando nosso tema, vamos começar pelas lâmpadas dos faróis. No QQ, o processo é simples e bem similar ao encontrado nos demais modelos. Basta retirar a capa protetora, desligar o plugue, retirar a trava da lâmpada e substituir a unidade em questão. “O problema é o farol do lado direito, como o espaço é muito pequeno, é preciso retirar a bateria”, explicou o Leonardo. Confira na sequencia abaixo:


Já para trocar as luzes indicativas de direção o procedimento também não é complicado, mas requer que se retire uma proteção da parte interna do para-lama

Já a luz de neblina traseira, entretanto, é mais fácil já que não existe uma proteção na parte inferior do para-choque. O único incomodo, contudo, é a posição:

Já quando começamos a avaliar as lanternas, a “coisa” mudou de figura. Trocar as lâmpadas aqui já é uma operação mais complicada, pois requer desmontar o acabamento lateral do porta-malas e ainda retirar dois parafusos internos, sendo um deles difícil de acessar.




Apenas como comparação, veja como a operação de trocar as lâmpadas traseiras é bem mais fácil no novo Palio. Basta desparafusar a lente e depois retirar os parafusos correspondentes à lâmpada que você deseja substituir


A negociação foi demorada, mas nesta segunda-feira tivemos a notícia de que a Chery conseguirá disponibilizar uma unidade do QQ, um dos carros mais baratos do Brasil, para o próximo Teste dos 100 Dias.
Por R$ 23.990, o compacto, que não é flex, traz motor 1.1 16V de 68 cv, ar-condicionado, direção hidráulica, vidros, travas e retrovisores elétricos, airbag e ABS. Apenas o Fiat Mille 2 portas, vendido a R$ 23.590, é mais barato que ele. Vale lembrar que o Fiat vem “pelado”.
O carro será retirado na sede da empresa em 19 de agosto e a avaliação começará na semana do dia 23 deste mês. A ideia é permanecer 100 dias com a mesma unidade e submetê-la a uma maratona semelhante à enfrentada pelo JAC J3, rodando na cidade, estrada, percursos de terra etc.
Gostaram da escolha? Será que o novo chinês terá desempenho superior ou inferior em relação ao J3? Contamos novamente com a participação dos leitores nesta nova edição da avaliação.
Aproveitamos para agradecer novamente à equipe da Chery pelo empenho em conseguir uma unidade para a nossa avaliação.
Infelizmente a Volkswagen cancelou o empréstimo do Jetta para o Teste dos 100 Dias. A fabricante alegou que tem poucos modelos na frota no momento e não conseguirá atender nosso pedido, apesar de termos feito a solicitação com grande antecedência e recebido a pré-confirmação de que o carro seria liberado. Isso acabou por atrapalhar todo o planejamento do novo Teste dos 100 Dias, previsto para começar nesta semana.
Pedimos desculpas aos leitores pelo ocorrido. Já estamos em trativas para a escolha do novo modelo, o que acontecerá no início da próxima semana. A expectativa é de que, apesar desse problema, o teste comece também na semana que vem.

Depois da avaliação de um compacto premium de origem chinesa, o Teste dos 100 Dias voltará a avaliar um sedã. O último modelo dessa categoria a passar por nosso teste de longa duração foi o Ford Fusion, ainda em 2009.
Coincidentemente, a próxima avaliação será feita com o Volkswagen Jetta, um dos maiores concorrentes do Fusion. Há três versões do VW à venda: manual e automática com motor 2.0 aspirado de 120 cv e outra apenas automática com propulsor turbo de 200 cv.
A novidade é que neste teste você escolherá quanto tempo ficaremos com cada versão. Como regra inicial, teremos o 2.0 aspirado automático, responsável pelo maior número de vendas do Jetta, por pelo menos 50 dias. Os outros 50 dias serão escolhidos por vocês por meio da enquete publicada na Carro Online. Clique aqui, vote e ajude a fazer o próximo Teste dos 100 Dias, que começará na semana que vem.
Gostaram da escolha?

Logo na primeira semana que o JAC J3 chegou à editora, fui um dos primeiros a usá-lo numa viagem extensa. Antes mesmo de se tornar “o carro do Faustão”, eu notava a curiosidade das pessoas em relação ao J3. Tiravam fotos e, quando possível, me perguntavam que carro era aquele, se ele era bom ou se eu confiava em carros chineses. Enfim, obviamente, um carro novo chama a atenção. Porém, depois de cem dias, consegui formar minha opinião.
De primeira, digo que o JAC J3 me surpreendeu. Comparando com os outros carros da mesma nacionalidade, ele é, de longe, o melhor. Internamente, o acabamento é de dar inveja até mesmo em modelos deste segmento fabricados por marcas já consagradas no mercado. Sem contar que, com os itens oferecidos de série e a longa garantia, é fácil entender porque tantas pessoas ficam em dúvida entre comprar ou não o hatch.
Sobre a motorização, o J3 não foi nem um desastre total, nem uma maravilha da engenharia automobilística. O motor 1.3 de 16V VVT (comando variável de válvulas) é honesto na cidade, mas não empolga nas estradas. Entretanto, aguentou firme nas viagens longas, sem “abrir o bico”. A meu ver, um sinal de que é possível confiar no conjunto motriz do J3 (pelo menos até os 20.000 km).
Ao volante, o J3 não surpreende. Pelo contrário. Ele é um carro – bastante – normal, nada mais que isso. Os comandos têm fácil acesso e a direção hidráulica, juntamente com a suspensão muito mole, dão a impressão que ele não gosta muito de curvas acentuadas. Os passageiros que viajam atrás sofrem com a falta de espaço, mas, para o motorista, o espaço é bom. Arrisco dizer que o J3 ficou melhor para dirigir depois dos 15.000 km, deu aquela “amaciada”.
Pois bem, a pergunta que não quer calar: eu recomendaria um JAC J3 para a compra? Como produto, não. Deixo claro que não tenho nenhum preconceito com marcas chinesas. Mas não posso recomendar um carro que tem seis queimas de fusível seguidas, o vigia traseiro explode e o painel tem que ser totalmente trocado. O preço é tentador, eu sei, principalmente com as revisões muito em conta. Mas vale economizar tanto para depois ter dor de cabeça?
A JAC é uma marca nova, como a Hyundai e a KIA já foram jovens e hoje mantém um bom número de vendas no mercado nacional. É apenas uma questão de tempo para os modelos chineses começarem a ganhar destaque no Brasil. Contudo, é preciso pensar muito bem antes de adquirir um carro cujo futuro ainda é incerto. Em um primeiro momento a economia pode ser boa, mas a procura de peças e as idas seguidas às concessionárias podem ser bastante inconvenientes.
Angelo Treviso

O legado de veículo “popular” bem equipado de série caiu como uma luva no J3. Ao menos é o que indica a sua popularidade, afinal, de abril a junho foram emplacadas 5.333 unidades da versão hatchback, igual a que participou deste blog. Diante da sua boa aceitação em um mercado extremamente competitivo como o nosso, a fim de avaliar o produto propriamente e saber como é o serviço de pós-venda de mais um modelo de origem chinesa avaliamos a novidade J3 hatchback – existe ainda a sedã Turin – durante 100 dias ininterruptos. Particularmente, me lembro como se fosse hoje o dia em que tive o primeiro contato com o nosso JAC. Ele tinha apenas 36 km rodados e ainda estava sem placas! Dois dias depois ele ganhou o seu “RG” natural de São Paulo, ELT-3959. Entre cidade e estrada, rodei exatos 3.429 km com ele.
Pelo fato de já ter avaliado outros modelos de origem chinesa anteriormente, a primeira impressão que tive do J3 é que ele não parece com um carro chinês. Não digo nem em relação ao visual, bonito, gosto pessoal, desenhado por um estúdio italiano. E sim do seu acabamento interno cuidadoso, dos diversos equipamentos de série que ele possui (nosso carro era equipado com o único opcional oferecido pela JAC: os bancos de couro, que custam R$ 1.200) e das peças que foram modificadas no carro vendido aqui em relação ao mesmo J3 comercializado na China. Um exemplo são as palhetas aerodinâmicas do limpador de para-brisas, produzidas pela Bosch. Coincidentemente, no dia da retirada do J3 chovia muito e a dupla de rodos foi alvo da minha primeira avaliação positiva no carro. Gostei!
O J3 também mostrou um bom comportamento mecânico durante toda a avaliação. Ele tem um conjunto de suspensão macio, é verdade, porém, bem acertado entre o conforto e a firmeza para rodar em nosso tipo de piso. Em curvas, seu comportamento é bom, porém, ele tem uma leve tendência a sair de traseira no limite do esforço lateral. Mas nada incontrolável Em desempenho, o motor 1.4 VVT, que entrega o desempenho esperado em alta rotação, proporcionou uma rodagem muito suave, principalmente depois que ultrapassou a barreira dos 10.000 km. Seu câmbio bem escalonado e que aceita trocas de marchas rápidas, apesar dos “caroços” no trambulador, também proporcionou bons resultados em retomada de velocidade. Em frenagem, os freios com ABS proporcionaram bons números ao JAC principalmente na sua segunda medição de pista, incluindo a fadiga.
O senão do J3 durante o tempo em que tive contato com ele foi o problema elétrico recorrente, como a troca de fusíveis dos vidros elétricos mais de uma vez, o ponteiro do marcador de combustível que insistiu em não funcionar durante quase todo o teste e o defeito derradeiro das luzes do painel, que provocou a troca do quadro completo aos 18.846 km. Por conta desta troca, todo o conjunto teve de ser trocado. E o pior: o hodômetro foi zerado! Tudo bem que a troca foi dentro do prazo de garantia e devidamente anotada no Manual do Proprietário. Entretanto, se o carro fosse meu, eu não estaria nada feliz em ter que conviver com essa troca e ter que explicá-la ao futuro comprador quando fosse vendê-lo.
Quanto ao serviço autorizado JAC, todas as vezes que levamos o carro até a concessionária fomos bem atendidos. Principalmente quando estive em Caxias do Sul (RS), onde de passagem, agendei a revisão dos 15.000 km e fui prontamente atendido na data e horário combinados. Em resumo: esse primeiro ano de vida do J3 “nacionalizado” aqui no Brasil servirá para torná-lo, daqui uns dois anos, um carro mais confiável. Principalmente no que diz respeito à parte elétrica do J3 que, a meu ver, é o calcanhar-de-aquiles do modelo.
Nota: 7,5
Hoje quem dá seu parecer sobre o J3 é o Leonardo Barboza, nosso assistente de testes. O Léo é um dos que mais dirigiu o J3 e levou o JAC à concessionária quase todas as vezes. Confira o relato:
No começo do Teste dos 100 Dias, achei que o nosso JAC passaria a maior parte do tempo na concessionária cheio de defeitos sem soluções.
Mas, com o passar do tempo, “mordi a língua” e, mesmo com alguns defeitinhos, principalmente de elétrica, e idas e vindas da concessionária para fazer as revisões, o nosso J3 surpreendeu muito.
As características positivas do veículo na minha opinião são o design, lista de equipamentos de série bem recheada, boa performance do propulsor, manutenção barata e, o mais importante, economia de combustível.
Quanto às características negativas, o que mais me incomodou no J3 foi a suspensão que, para proporcionar um maior conforto em terrenos acidentados, ficou a desejar na parte de estabilidade em velocidades mais altas, transmitindo um mal estar ao condutor e aos passageiros. Além disso, tivemos alguns defeitinhos fora de série no J3 que obrigaram a levar o veículo à concessionária mais vezes além do normal (e já são muitas).
Resumindo: mesmo com alguns detalhes, o JAC J3 fez muito sucesso pelos 16.800 km por onde passou. Se fosse para comprar um veículo chinês, a minha escolha seria um JAC.
Nota: 7

Como já apontaram nossos comparativos na Carro, o JAC J3 é, hoje, a melhor
opção entre os chineses. Nem só pelas características do carro, mas pelo projeto
como um todo. Além disso, ele não é isento de falhas de montagem (muito
pelo contrário, como direi à frente), mas pelo menos apresenta bem menos
problemas aparentes que seus equivalentes. Durante nosso teste ele mostrou
que precisa melhorar em ergonomia, por exemplo, e algumas características
como as folgas na direção e câmbio me desagradaram bastante.
O episódio no qual o vidro traseiro foi estilhaçado quando o desembaçador
traseiro foi acionado me faz levantar a seguinte questão que gostaria de
debater como vocês, nossos amigos que acompanharam esta avaliação por
mais de três meses: será que vale a pena pagar menos na hora de adquirir
um carro novo, mas ter que fazer constantes visitas às concessionárias para
resolver defeitos pontuais?
No nosso caso, segundo relatado pelo consultor técnico de uma das
concessionárias para qual o J3 foi levado, os constantes problemas elétricos
foram causados pelo mau posicionamento do chicote elétrico, que foi montado
de maneira errônea. No total, somamos seguramente mais de cinco visitas às lojas oficiais
para manutenções, fora as revisões obrigatórias.
Para quem olha os números, até que isso não parece muito, mas quando levamos
em conta que a cada 5.000 km precisamos levar o JAC para cumprir seu plano
de inspeções (simples troca de óleo ou a revisão propriamente dita), isso acaba
sendo um incômodo. Para quem precisa do carro para trabalhar, por exemplo,
ficar sem o modelo ou, pior ainda, ele deixá-lo “na mão” significa um grande
prejuízo.
Tudo bem que a JAC é a única marca a oferecer seis anos de garantia, algo
muito louvável em um mercado como nosso, em que algumas fabricantes deitam e
rolam, mas o cronograma de visitas às concessionárias poderia ser, na minha
opinião, mais espaçado.
Tenho certeza que não só a JAC como a maioria das companhias chinesas
que atuam no setor automotivo alcançarão, muito em breve, um padrão de
qualidade internacional de qualidade. Quem já viu essas indústrias de perto
sabe a dedicação e afinco que os chineses depositam em seus projetos. Mas,
por enquanto, ainda mais na faixa de preço do J3, optaria por um concorrente
de fabricação local. No futuro, entretanto, com a melhoria em qualidade dos
carros, não descartaria a compra de um chinês.
Nota: 6
Gerson Campos

Um dos maiores desafios de qualquer jornalista ao avaliar um modelo chinês é despir-se de preconceitos. Já discuti isso com alguns colegas. Eles concordam comigo. Não tenho absolutamente nada contra a origem deste ou daquele carro. Existem japoneses melhores que alemães e vice-versa. Há carros italianos bons e ruins. E por aí vai.
O fato é que já tive outras experiências nada agradáveis com carros chineses. A qualidade (ou falta de) dos primeiros que chegaram ao Brasil, para mim, não compensava o preço mais em conta. A lógica não vale para o J3, de longe o melhor “Made in China” vendido aqui.
Primeiro pelo tamanho da operação da JAC no Brasil e pelo marketing agressivo antes mesmo da abertura das concessionárias. A marca passou confiança ao consumidor, que foi às lojas e apostou no J3. Esse já é um ótimo indício para que um carro novo não vire um “mico”.
A adaptação para gosto do mercado brasileiro foi outra iniciativa importantíssima. Recentemente tive a oportunidade de entrar em um J3 vindo da China sem as mudanças promovidas para agradar o brasileiro. A qualidade de alguns plásticos parece inferior, o interior tem tons de bege mais chamativos e o painel de instrumentos é bem mais simples.
A JAC ainda diz ter feito diversas modificações para diminuir o nível de ruído em relação ao hatch vendido nas concessionárias chinesas. Não pude andar no “J3 chinês” para conferir as diferenças, mas, conversando com um dos engenheiros responsáveis pela adaptação, não tive motivos para desconfiar do que ele dizia. “A suspensão também foi adaptada para o nosso mercado. Lá ela é bem mais macia”, contou Luiz Inoue, engenheiro da JAC que já fez 16 viagens à China para modificar por lá o carro vendido aqui.
Mesmo assim, a suspensão do J3 é um dos pontos que mais me desagradou no carro. Na cidade ela é confortável e consegue absorver muito bem buracos e crateras, mas na estrada cansa o motorista e não passa confiança ao passar em uma emenda de ponte a 120 km/h ou pegar uma ondulação no meio de uma curva. Fiz uma viagem de 1.500 km até o sul do país (ida e volta) e senti isso na pele.
Outro ponto negativo é o câmbio: ele melhorou bastante do meio para o fim do teste, mas começou áspero e pouco preciso. Era possível ouvir alguns “clecs” nos engates. Tive a sensação de que ele era frágil e poderia quebrar. Foi só impressão. Ainda bem.
A direção me pareceu mole demais em velocidades mais elevadas. Mas, neste caso, acho que é questão de gosto.
Para finalizar as “más notícias”, fiquei bravo algumas vezes com a dificuldade de tirar o J3 do lugar em uma rampa mais inclinada. Aí não é questão de gosto. É um fato. Com ar-condicionado, era preciso queimar bastante embreagem. Com quatro ou cinco pessoas a bordo, então, era desligar o ar-condicionado ou jogar o giro lá em cima para o hatchzinho sair do lugar.
“Então o carro é ruim e esse monte de gente comprando está enganada, Gerson?”, pode estar perguntando você. De forma alguma. O J3 não é um carro ruim. Longe disso. Tem, sim, características que não me agradam, mas que não não necessariamente defeitos. Talvez você dirija um e ache que eu sou um belo de um chato por ter dito isso a respeito da suspensão, do câmbio e da direção. É bem provável. Sou chato mesmo. Mas só com carros. Embora tenha gente que não concorde que é só com carros. Mas são uma minoria, viu?
Bem, voltemos ao JAC. O que eu gostei: design (achei um dos mais bacanas do segmento), espaço no banco traseiro (já andamos em três marmanjos lá menos apertados do que em alguns sedãs médios), acabamento (bom gosto na escolha dos materias e sensação de carro mais luxuoso do que de fato ele é) , garantia de seis anos e, claro, custo-benefício.
Rodamos uns 17.000 km com o J3. Desses, passei mais de 2.000 km ao volante. Ele teve problemas? Sim, muitos. E bem chatinhos. Consegui quebrar o recorde mundial de queima de fusíveis: quatro no mesmo feriado. Fiquei com os quatro vidros travados e tive de pagar pedágio abrindo a porta. Um vexame para um dono de 0 km. Voltamos à concessionária um monte de vezes (nem lembro quantas) para arrumar só essa pane. Como dono, provavelmente isso me levaria a um dia de fúria.
O ponteiro do marcador de combustível deu pau. As luzes do painel também, o que acabou obrigando a troca de todo o conjunto. E, o pior de tudo, o vidro traseiro estourou em plena estrada, assustando o pobre do Carlos Cereijo, que ficou mais branco do que já é (brincadeira, Cereijo). Como dono, certamente isso me levaria a um dia de fúria.
Sinceramente, espero comprar um carro 0 km e, pelo menos até 20.000 km, 30.000 km, só voltar com ele até a concessionária para fazer as revisões. No máximo, tolero um ou dois defeitinhos, uma ou duas visitas. Mas fizemos mais de cinco, que eu me lembre. É demais.
Se você não liga tanto para isso, ótimo. Ótimo porque o J3 não deixou ninguém na rua e não apresentou nenhum defeito que possa ser considerado, de fato, grave. Entre freios, suspensão, direção e motor, tudo sob controle.
O maior problema foi mesmo o estouro do vidro traseiro, que, nas palavras do Cereijo, ”parecia uma bomba de São João explodindo” e poderia até ter causado um acidente se o motorista se assustasse. Felizmente não causou.
Por essas e por outras, eu esperaria mais um tempinho antes de comprar um. Mas se você é daqueles que quer para ontem, não crie gastrite com a ansiedade. Há ressalvas, como houve em todos os outros modelos do Teste dos 100 Dias, alguns feitos por marcas de origem italiana, outros de fabricantes americanas, outros de alemãs. As outras montadoras foram acertando os projetos de seus lançamentos. A JAC está fazendo o mesmo. A indústria hoje é global. Não há razões para ter preconceito com os chineses. Pelo menos não com este.
Nota: 6
100º Dia
Conforme eu havia prometido no meu post anterior, e atendendo aos anseios dos blogueiros de plantão, eis a tabela comparativa entre a primeira e a segunda medição do JAC J3.
1ª medição
Com 250 km rodados (04/3/2011)
Aceleração
0-100 km/h = 13s1 em 229,8 metros
0-400 metros = 18s8
Retomada
40-100 km/h (3ª marcha) = 13s3
60-80 km/h= (4ª marcha) = 14s5
80-120 km/h (4ª marcha) = 10s4
Ruído interno
ruído interno em ponto morto = 47,9 decibéis
ruído interno a 50 km/h (3ª marcha) = 63,6 decibéis
ruído interno a 80 km/h (4ª marcha) = 64,7 decibéis
ruído interno a 120 km/h (5ª marcha) = 70,3 decibéis
Frenagem
frenagem de 60-0 km/h = 14,5 metros
frenagem de 80-0 km/h = 25,6 metros
frenagem de 100-0 km/h = 40,9 metros
frenagem de 120-0 km/h = 61,2 metros
Fadiga (em metros)
1ª 40,1 6ª 50,6
2ª 53,3 7ª 48,1
3ª 43,0 8ª 60,0
4ª 45,2 9ª 51,6
5ª 46,9 10ª 51,6
2ª medição
Com 16 607 km rodados (28/6/2011)
Aceleração
0-100 km/h = 11s7 em 204,8 metros
0-400 metros = 18s1
Retomada
40-100 km/h (3ª marcha) = 12s2
60-80 km/h= (4ª marcha) = 13s4
80-120 km/h (4ª marcha) = 9s7
Ruído interno
ruído interno em ponto morto = 46,3 decibéis
ruído interno a 50 km/h (3ª marcha) = 64,2 decibéis
ruído interno a 80 km/h (4ª marcha) = 65,3decibéis
ruído interno a 120 km/h (5ª marcha) = 70,4 decibéis
Frenagem
frenagem de 60-0 km/h = 13,8 metros
frenagem de 80-0 km/h = 24,3 metros
frenagem de 100-0 km/h = 41,2 metros
frenagem de 120-0 km/h = 60,8 metros
Fadiga (em metros)
1ª 42,8 6ª 41,0
2ª 40,5 7ª 44,2
3ª 42,0 8ª 42,5
4ª 42,1 9ª 43,0
5ª 41,1 10ª 44,6
Considerações
Após ter avaliado o J3 quando ele ainda era novo e agora com mais de 16.600 km rodados, gostaria de comentar os resultados:
Aceleração/retomada: o fato do J3 ter apresentado uma sensível melhora em desempenho deve-se principalmente ao amaciamento do motor. Além da quilometragem realizada em estrada, também contou pontos para deixar o motor 1.3 VVT “redondo” a realização de todas as trocas de óleo constantes no Manual do Proprietário. Inclusive a troca do óleo de câmbio, feita aos 10.000 km.
Frenagem: a eficiência no espaço de frenagem, tanto na convencional quanto na fadiga, deve-se, em parte, ao assentamento correto das pastilhas nos discos e o ao auxílio do ABS + EBD. Mesmo com a quilometragem avançada o J3 não apresentou fadiga e tampouco desvio de trajetória durante as frenagens.
Ruído interno: este teste revelou o único senão do J3 seminovo em rodagem. Com o motor funcionando em ponto motor ele foi até mais silencioso de quando era novo, acredito eu que por conta do 1.4 estar amaciado trabalhar mais silenciosamente. Em contrapartida, é rodando que se percebe que em todas as velocidades aferidas o J3 ficou mais ruidoso, principalmente a 120 km/h, quando é possível ouvir e sentir uma pequena entrada de ar pela parte superior da porta do motorista.
Os 100 dias com o JAC terminam aqui, mas o blog não. Amanhã começaremos a publicar as impressões finais dos repórteres e editores sobre o J3. Fiquem ligados.
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