Angelo Treviso, editor de testes da revista CARRO
Volkswagen Polo I-Motion: a Volkswagen sempre foi uma referência mundial quando o assunto é tecnologia — além, é claro, de oferecer qualidade na fabricação de seus veículos. Em se tratando da linha Polo não foi diferente. Uma das novidades do hatchback em 2009 foi seu câmbio automatizado I-Motion (ASG). Entretanto, rodando com o carro é que se tem a perfeita impressão do seu funcionamento. No modo automático, o câmbio ASG reage de maneira estranha e parece não assimilar o comando do motorista. Em uma condição de tráfego normal, por exemplo, em uma avenida onde o trânsito permite desenvolver uma velocidade constante, a marcha selecionada é mantida junto com a rotação do motor. Até aqui, ok!
Outra situação: o trânsito congestiona e começa aquele anda e para a 5 km/h. A transmissão também reage bem e quando dá ela troca uma ou mais marchas com suavidade. Também perfeito! Contudo, duas situações não me agradaram. A primeira delas foi naquele momento em que vindo em 5ª marcha foi preciso dar aquela paradinha antes de entrar em uma via onde o trânsito estava mais rápido e as marchas se embaralham. A sensação que tive foi que o câmbio começou a procurar a melhor delas, mas enquanto isso não aconteceu pareceu que o motor iria apagar e não daria tempo de entrar no ritmo da via expressa.
Outra situação: o trânsito estava fluindo bem, mas de repente a velocidade à frente diminui e logo em seguida precisou ser retomada. Como reação espontânea fiz o kick-down, mas não adiantou. Mais uma vez esperei o câmbio “pensar” no que ele iria fazer até que a velocidade fosse retomada. Definitivamente no modo automático, ao menos na cidade, não gostei do câmbio. E quer saber? Minha opinião se confirmou na prática: trocando de marchas pelas borboletas do volante e aproveitando a faixa de giro que eu achava melhor em cada situação o desempenho do I-Motion passou da água para o vinho. O carro ficou mais confiável e gostoso de dirigir. No modo manual, o câmbio se entende com o motor e com isso a reação da troca entre uma marcha e outra, mesmo durante as reduções, é mais precisa.
Por fim, na estrada rodando a velocidade de 100 km/h e no modo automático, o sistema realizou poucas trocas de marchas, apenas antes de parar nas praças de pedágio ou quando precisei fazer alguma ultrapassagem. Com a 5ª marcha engatada, o Polo rodou suavemente. Contudo, no modo manual, mesmo na estrada, em minha opinião o desempenho do I-Motion é melhor. Com isso provei para mim mesmo que a opção manual no I-Motion oferece mais prazer ao dirigir. O modo automático não invalida a sua função, mas como usuário ele só faz sentido mesmo no trânsito pesado.
Fiat Ideal Adventure Locker Dualogic: privilegiado por dirigir veículos equipados com câmbios automatizados das mais variadas marcas, confesso que tive uma grata surpresa no meu contato com o Idea Adventure Locker Dualogic, principalmente encarando o trânsito de São Paulo. No congestionamento, o comportamento do Dualogic é perfeito. As trocas são feitas com poucos (e leves) trancos e no tempo ideal de acordo com a pressão no pedal do acelerador.
Também gostei do Dualogic em subidas, quando o sistema mantém o carro com fôlego sem ficar pedindo marcha, como acontece em alguns modelos com câmbio automático. Além da conveniência no congestionamento, o Dualogic também mostrou que ele pode ser um bom aliado para dirigir com economia. Pelo computador de bordo, cheguei a fazer até 7,6 km/litro com álcool.
Na estrada, mais uma vez a caixa de marcha automatizada fez valer a pena a sua existência na linha Adventure. Durante uma viagem até o litoral sul de São Paulo, a rodagem do Idea foi constantemente suave e proporcionou comodidade. Com a 5ª marcha engatada no modo automático o Dualogic proporcionou bom desempenho. Na subida da Serra do Mar, realizada pela pista antiga da Rodovia dos Imigrantes em meio aos caminhões, o Idea mostrou bom fôlego embalado em 5ª marcha automática.
Quanto ao câmbio Dualogic, nosso protagonista do teste, o sistema automatizado funcionou perfeitamente durante a minha avaliação. A não ser os pedidos para repetir a operação quando eu tentava engatar as marchas rapidamente durante as manobras, e ele não aceitava, o Dualogic fez bem o seu papel principal: proporcionar conveniência.
Chevrolet Meriva Easytronic: a chegada do Chevrolet Meriva Easytronic, em novembro de 2007, inaugurou uma nova era no mercado nacional de minivans compactas (ou monovolumes). Afinal, ele foi o primeiro modelo desse tipo com transmissão robotizada. Fácil de operar, o câmbio manual automatizado torna o Meriva mais ágil quando as marchas são trocadas no modo sequencial, ou seja, movendo a alavanca para frente ou para trás. Na opção automática, a reação do câmbio é mais lenta do que o esperado e dá alguns trancos. Por ter as relações de marchas mais longas que as do câmbio manual convencional, o Meriva Easytronic é bom de dirigir na cidade.
Na estrada, o desempenho do motor 1.8 casa melhor quando o modo esportivo — a tecla S ao lado da alavanca de câmbio — está selecionado. Nessa opção, ao fazer o kick-down para puxar as marchas mais fortes, a troca de marchas ocorre em giros mais altos, dando fôlego ao motor. Com o câmbio na posição automática e a 5ª marcha engatada, a transmissão faz o Meriva Easytronic deslanchar suavemente pelo asfalto. Nessa condição de uso e rodando a velocidade de 110 km/h, o motor 1.8 Flexpower consome menos.
Em resumo: considerando a conveniência que o câmbio automatizado oferece principalmente na cidade, e que o sistema Easytronic é cerca R$ 2.000 mais barato que a transmissão automática, o Meriva Premium 1.8 Easytronic é uma boa opção.
Notas:
Polo: 8
Idea: 7,5
Meriva: 7
Rafael Munhoz, editor da revista RACING
Começo minha conclusão admitindo que este teste com os câmbios automatizados me surpreendeu em alguns pontos e apenas confirmou a expectativa em outros. Quando soube dos nomes que integrariam a avaliação, logo imaginei que o Polo I-Motion (com câmbio ASG) ganharia de lavada de seus rivais, já que as experiências anteriores que eu tive com os câmbios Dualogic (no Stilo e no Palio) e Easytronic (no próprio Meriva) não tinham sido muito boas.
Mas aí é que começa a surpresa. O primeiro teste com o VW Polo Sportline I-Motion mostrou-me um câmbio bom, com certa rapidez, mas que dá trancos maiores do que eu esperava. Nenhum automatizado faz milagres, conclui. Mas ao começar a avaliar o Fiat Idea Adventure Locker Dualogic, tive a surpresa mais agradável dos últimos 100 dias: as trocas de marcha são feitas com mais suavidade que nos concorrentes e em uma velocidade menor. Realmente gostei do modelo da marca italiana e, admito, não esperava ter uma sensação tão boa ao dirigi-lo.
No Chevrolet Meriva Premium Easytronic, apenas confirmei o que eu já havia notado quando guiei o carro anteriormente: trata-se de um câmbio nada ruim, mas que deve bastante aos seus adversários deste teste. Mesmo com um motor 1.8 de 114 cv, parece que o veículo está sendo equipado com um propulsor bem menos potente.
Em relação ao carro em si, considerando todos os elementos, e não o câmbio, considero um empate técnico entre o Polo e o Idea, já que, pessoalmente, prefiro o hatch da Volkswagen em outros quesitos (como estabilidade, esportividade etc.).
Minha conclusão acerca dos câmbios automatizados utilizados neste teste é que o Dualogic evoluiu – e muito! – desde que começou a ser comercializado no Brasil. O ASG de 5 marchas que equipa o Polo já chegou ao nosso país com um nível muito bom, mas que ainda pode melhorar na suavidade. O Easytronic, por fim, merece um pouco mais de atenção por parte da Chevrolet para se aproximar dos rivais.
Notas:
Idea: 8
Polo: 7,5
Meriva: 6,5